quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Bens Culturais da Seção I – Sede urbana de Três Marias


A seção I, denominada Distrito Sede, possui 51 bens inventariados que nos mostram como a cidade de Três Marias surgiu e se desenvolveu nas últimas seis décadas. A origem do núcleo urbano de Três Marias está definitivamente ligada ao início das obras de construção da barragem de Três Marias, empreendimento pioneiro da ocupação da localidade. Idealizada pela Comissão do Vale do São Francisco (CVSF), durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek, o principal objetivo da barragem era controlar a vazão do rio, sobretudo no trecho entre a cidade de Pirapora e Paulo Afonso, facilitando a navegação nos períodos de seca, controlando as enchentes nos períodos de chuva e possibilitando o aproveitamento das águas para fins energéticos.

Um convênio estabelecido com a CEMIG e a CVSF em 1956 transferiria para a empresa mineira as responsabilidades pela fiscalização, acompanhamento geral e aproveitamento do represamento das águas da barragem para a construção de uma usina hidrelétrica.A execução do projeto de construção da barragem e aproveitamento hidrelétrico da mesma foi objeto de concorrência vencida pela empresa canadense Morrisen Knudsen Company Incorporated, que fundaria sua filial brasileira com o nome de Companhia Construtora Corinto – CCC.

A construção da barragem teve início em 1956 e foi concluída em 1961. Atualmente, a represa possui aproximadamente 1040 quilômetros quadrados de superfície e banha oito municípios: Três Marias, São Gonçalo do Abaeté, Morada Nova de Minas, Biquinhas, Paineiras, Abaeté, Pompéu e Felixlândia. 

Todas estas obras foram executadas em um curto espaço de tempo. Para cumprir a data de entrega determinada por Juscelino Kubitschek, foi preciso empreender atividades em até dois turnos diários contando com a força de trabalho de cerca de 10.000 homens. 

Para receber este contingente populacional, na segunda metade da década de 1950, foram construídos o acampamento da CEMIG e a Vila Satélite destinados aos operários que trabalhavam nas obras da barragem e da hidrelétrica. As terras destes acampamentos, assim como áreas destinadas para a implantação dos empreendimentos e boa parte de seu entorno, incluindo as áreas que seriam destinadas ao acampamento do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem e parte do antigo povoado de Barreiro Grande foram desapropriadas pela Comissão do Vale do Rio São Francisco. Por volta de 1955 e 1956, iniciou-se a formação do povoado de Barreiro Grande, que em alguns anos transformar-se-ia no centro da cidade de Barreiro Grande. Um ano depois surgiria o loteamento que fundaria o bairro Joaquim Lima, o segundo da cidade.

O movimento de pessoas na região era intenso, sendo promovido não só pelas grandes obras realizadas no local, como também pela posição geográfica que colocava Três Marias como um entreposto entre a nova capital em Brasília, ainda em construção, e parte do sudeste e nordeste do país.*Além das obras da barragem e da hidrelétrica, dois outros grandes empreendimentos movimentariam a localidade. 

O primeiro foi a construção da rodovia que ligaria o Rio de Janeiro à nascente capital federal, para a qual foi estabelecido o acampamento do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER) localizado entre o Barreiro Grande e a Vila Satélite. 

O segundo grande empreendimento foi a construção da Companhia Mineira de Metais, pertencente à família Ermírio de Morais. O início das obras de construção da fábrica que dedicar-se-ia a produção de zinco foi em 29 de setembro de 1956, mas a produção começaria somente por volta de 1969. Apesar de movimentar centenas de trabalhadores, a vila da Mineira, como é conhecido o bairro dos funcionários da empresa, só estaria finalizada na década de 1970.

Os elementos apontados acima caracterizam o início do processo de formação histórica da cidade de Três Marias e podem ser resumidos da seguinte forma: os acampamentos da CEMIG e do DNER, a Vila Satélite e o povoado de Barreiro Grande são as bases da formação de uma cidade que nasceria totalmente influenciada pela implantação de grandes empreendimentos industriais.

O inventário desenvolvido nesta área buscou abranger bens culturais capazes de representar os elementos indicados acima. Para facilitar essa compreensão, apresentaremos estes bens divididos em 08 grupos, sendo eles: 
1) Seção I – Bens Culturais do acampamento da Cemig
2) Seção I – Bens culturais da CODEVASF
3) Seção I –  Bens culturais da Vila Satélite
4) Seção I – Bens Culturais da Vila da Mineira
5) Seção I – Bens culturais do acampamento do DNER
6) Seção I – Bens culturais imóveis do antigo Barreiro Grande
7) Seção I – Arquivos históricos da sede urbana de Três Marias
8) Seção I – Grupo Sítios Naturais e Conjuntos Paisagísticos próximos a Sede Urbana de Três Marias.

Antes de passarmos para estes bens é importante indicar que o inventário desta seção foi realizado durante o ano de 2006, sendo precedido de um diagnóstico que abarcou cerca de 150 bens materiais e imateriais existentes na sede urbana. Destes 150 bens, foram selecionados 51 bens para serem inventariados, sendo 25 bens imóveis, 02 arquivos, 08 bens móveis, 09 sítios naturais, 01 bem imaterial e 06 bens identificados como um conjunto de ruínas que foram inseridos na categoria de ‘outros’. 

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